Falar requer, cada vez, mais ponderação e reflexão. A linguagem não é polémica mas quem a utiliza gosta de a problematizar. Joga-se com as palavras, montam-se discursos e argumenta-se de acordo com os interesses de cada um. Mas não foi isso que sempre se fez?! Claro que sim.
A utilização de palavras e expressões, sem se atentar no seu verdadeiro significado, leva sempre a confusões. Por isso, definir conceitos é uma das regras obrigatórias para o discurso corrente e não só. Não faz sentido usar palavras ‘caras’ (vulgo dificieis e que não são comuns ao discurso de ambos os interlocutores) que apenas levantam dúvidas e barram a comunicação. Quantas vezes ouvimos discursos extremamente elaborados, mas que depois espremidos nada dizem!? Nesse caso perdeu-se tempo e impediu-se que a mensagem passasse de forma clara e concisa. É o que nos servem de bandeja, diariamente. E, na maioria dos casos, aceitamos impávidos e serenos sem sequer recorrermos ao dicionário, ou a uma opinião mais sábia sobre o verdadeiro intuito das palavras e dos discursos. Mas, então quanto pesa uma palavra?1000 quilos ou 1 mg?

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Na minha perspectiva pesa sempre o que o seu utilizador quiser e souber levar os outros a interpretá-la. O poder argumentativo e expressivo a cada um pertence e, embora existam regras implícitas, o jogo reescreve novas regras a cada frase que desenha. E, quando o implícito se torna demasiado explicito, há quem se esconda atrás da desculpa da contextualização, ou falta dela: ” Não foi isso que eu quis dizer. Você não entendeu!”, ” … não foi dito nesse contexto!” – estas e outras frases apressam-se a justificar os mal-entendidos e a desculpar, de forma requintada, as lacunas existentes no diálogo.

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Tudo isto para dizer que cada vez tenho maior apreço pelas palavras, essas linhas ou traços que comunicam entre si e reflectem o ‘peso’ das ideias e dos conceitos. São autênticas obras de arte que todos dominam, melhor ou pior, para fazer passar a mensagem. É também por isso que, diariamente, crio novos textos e reflicto sobre eles e sobre o que neles inscrevo, dado que no momento em que o faço estou a registar uma marca no arquivo imagético da minha história e da de todos os que me lêem. Com palavras produzo ideias, histórias de vida e de morte, de amor e ódio. Com elas atinjo os limites da minha própria criação. Com elas desenho a poesia e a música de momentos únicos que vivi e reviverei no momento em que as reler. Através delas transmito emoções e desenho novos quadros prontos a serem admirados, criticados ou destruídos.

pexels-photo-102609Sem as palavras o diálogo pintar-se-ia com a monotonia do preto e branco. Com elas pinto novos arco-irís a cada texto que produzo… Hummm hoje deu-me para a Filosofia… Espero ter conseguido passar a mensagem e não ser mais uma das que escrevem para nada dizerem.

Texto de Isabel Vieira (recuperado de um seu antigo blog)

Fotos: DR

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